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Depois de 5 anos da inauguração, Cadernos públicos pessoais está encerrado. Novas postagens em Singrar.






Escrito por Ramon às 18h08 [ Comentar ] [ envie esta mensagem ]






 
 

Lúcia Hippólito tentando falar mal de Lula

 

No vídeo abaixo, a comentarista de política da Rádio CBN e colunista do Globo tenta organizar as ideias, todas espalhadas pelo álcool.Bêbado

 




Categoria: Notícias comentadas


Escrito por Ramon às 20h59 [ Comentar ] [ envie esta mensagem ]






 
 

Sobre a história do Haiti

Recomendo a leitura deste texto, de autoria da historiadora Maria Clara Sampaio, sobre a história do Haiti, para entender por que o País é o mais pobre e atrasado das Américas. Tendo sido o primeiro país latino-americano a se tornar independente, por força de uma rebelião de escravos que aterrorizou as elites coloniais europeias e americanas, diante da ameaça que a ideia de uma ex-colônia libertada e comandada por ex-escravos representava para o bastante lucrativo sistema de produção que sustentava as economias do sul dos EUA e de praticamente toda a América Latina e Caribe. Seguiu-se à independência do Haiti um boicote internacional que dificultou a estabilização do País. Seu fracasso serviu, por muitos anos, para fortalecer o discurso dos países dominantes de que era intrinsecamente inviável um Estado gerido por africanos ex-escravos.




Categoria: Ideias


Escrito por Ramon às 12h34 [ Comentar ] [ envie esta mensagem ]






 
 

A Semana - crônicas de Machado de Assis

Machado de Assis é um velho conhecido do leitor lusófono. Sua posição nas letras brasileiras não apenas é proeminente: beira a unanimidade. Nenhum outro escritor de nossa terra goza do mesmo prestígio, é tão citado e imitado, desperta tanta admiração e reverência quanto o autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas, mesmo quando se consideram as pessoas que pouco ou nada leem, em um país de iletrados ou de letrados que abdicam do direito à leitura. Se, por um lado, o gênio de Guimarães Rosa também é louvado, por outro, não conta com a mesma popularidade do Bruxo do Cosme Velho. Se Paulo Coelho é popularíssimo, não merece o respeito, sequer a atenção, da crítica, da Academia nem de leitores maduros.

Apesar disso, ainda há um Machado imperdível, mas bastante pouco explorado pela maioria dos leitores: o cronista. A obra do escritor se estende por diversos gêneros, incluindo poesia e teatro, mas ele foi consagrado por sua prosa. A de ficção é a mais lida, estudada e festejada. A Capitu pintada por Bentinho já foi transposta para o cinema e para a televisão, assim como o defunto narrador Brás Cubas, ambos incessante e crescentemente destrinçados em programas de pós-graduação. Para quem já conhece e ama os escritos do autor, é firmemente recomendável aventurar-se em suas crônicas.

Além de ficcionista e servidor público, Machado escreveu, para a Gazeta de Notícias, textos acerca de assuntos variados de semanas da década de 1890. São peças inevitavelmente marcadas pelo tempo, mas que guardam tanto interesse histórico quanto literário. O primeiro dirige-se ao pensamento e às opiniões do indivíduo Machado de Assis, bem como aos eventos e atores os quais marcaram a transição da Monarquia para a República no Brasil. O interesse literário está na linguagem esmerada e expressiva, mas leve, na ironia refinada e na capacidade de transitar, com naturalidade, por temas como literatura, cotidiano, economia, história, fazendo volteios de valsa com o leitor, que passa de considerações abstratas ao concreto do dia-a-dia, em movimento que se repete até o fim da crônica, quando as pontas são magistralmente unidas pela pena do cronista.

Para quem conhece a obra machadiana e sabe que clássicos são sempre inesgotáveis, ler as crônicas equivalerá a descobrir um manuscrito perdido daquele seu autor predileto cujas obras você já lera e relera. Os que pouco conhecem Machado e encararem esses textos farão um percurso inusitado, arriscado para leitores em formação, mas nem por isso menos interessante. Há edições variadas à disposição no mercado, consistindo em seleções particulares das crônicas que saíram nos jornais. Na Internet, inclusive, há edições eletrônicas com acesso gratuito.




Categoria: Pelo mundo


Escrito por Ramon às 02h17 [ Comentar ] [ envie esta mensagem ]






 

 

Como ser um jornalista imparcial? Favoreça seu viés ideológico, dissemine suspeitas acerca de quem quiser, mas faça uso dos recursos da língua, para dar um verniz de que manteve o juízo suspenso em relação ao fato. Deparei com a seguinte manchete: "Filme sobre Lula pode influenciar eleição presidencial, diz 'NYT'". Isso não é notícia. Vale tanto quanto afirmar que filme sobre Lula pode não influenciar eleição.

Curioso é que o próprio texto, citando a reportagem original do NYT, traz bons argumentos que desabonam a possibilidade aventada. Menciona, por exemplo, o baixo alcance do cinema, especialmente de produções nacionais, no Brasil, que conta com apenas 2300 salas de exibição concentradas em 7% dos municípios, sendo que não mais do que uma pequena parcela delas estaria reservada para Lula: o filho do Brasil. Pode-se reforçar o argumento, consultando a lista de maiores bilheterias do cinema tupiniquim. Nas duas últimas décadas, depois da chamada "Retomada", o quadro é o seguinte:

 

Adaptado da Wikipedia.

Sobre a intenção dos produtores e do realizador de favorecerem os projetos políticos do atual Presidente, a equipe do filme alega o contrário. Cinema é coisa cara, uma indústria que precisa dar lucro, para se autofinanciar e ter sustentabilidade. Nada mais comercialmente oportuno do que pegar carona na popularidade gigantesca de Lula, que inegavelmente viveu uma história cheia de ação e com apelo emocional, a fim de arrebanhar espectadores aos cinemas e aquecer as bilheterias.

Ainda não assisti ao filme, mas tenho o palpite de que a quase totalidade do público dele será de pessoas que já têm simpatia por Lula. Alguns amigos meus que nutrem antipatia pelo Presidente ou se mantêm indiferentes a ele fizeram careta ou se esquivaram polidamente, diante de minha sugestão de vermos a película. Embora sua história não seja conhecida em detalhes, e o poder da imagem sobre a mente das pessoas seja inegavelmente devastador, Lula é velho conhecido da população do País, depois de um mandato de deputado federal, cinco eleições presidenciais e quase oito anos de Governo. Não creio que o cinema vá mudar muita coisa quanto ao que se pensa dele.

A manchete citada no primeiro parágrafo, ao ressaltar a possibilidade de o filme influenciar as eleições, como se ele tivesse sido destinado para isso, manifesta uma escolha do jornalista que tanto não traduz a problematização contida no próprio texto, quanto parece se alinhar com uma corrente política que anda levantando essa acusação, em um contexto de disputa partidária.

 




Categoria: Notícias comentadas


Escrito por Ramon às 03h08 [ Comentar ] [ envie esta mensagem ]






Por que um decreto de cunho meramente programático desperta tamanha reação em certos setores e na mídia que os representa?

O jornalista Fernando Rodrigues (Folha de São Paulo/UOL), bem como outros que poderiam parecer menos insuspeitos aos olhos de antilulistas, comparou, em seu blogue, o plano recém-lançado com aquele por que foi responsável o Governo FHC e concluiu que as diferenças entre ambos, em essência, não são tão vultosas quanto pinta a oposição e certos grupos de imprensa, embora os mesmos veículos tenham dado cobertura diferente no lançamento dos planos passados.






Escrito por Ramon às 02h25 [ Comentar ] [ envie esta mensagem ]






José Nêumanne Pinto certamente não está delirando no vídeo abaixo. Não creio. Apenas, talvez, quando ele e seus chefes acreditam que alguém pode levar a sério mentiras tão fragilmente construídas sobre o PNDH do fim do mundo. Basta conferir o documento e constatar que nem a pior interpretação possível se desprenderia tanto da letra do texto. Ou, sou eu que deliro, acreditando na capacidade de julgamento das pessoas?






Escrito por Ramon às 02h19 [ Comentar ] [ envie esta mensagem ]






Um pastor evangélico bem posicionado na Paraíba, minha terra natal, costuma associar catástrofes como a haitiana ao credo religioso das vítimas. Pergunto-me, diante da tristeza paralisante das imagens que vi na TV, de um povo esfolado por uma miséria pantanosa, como alguém é capaz de se sentir tão superiormente puro e correto, a ponto de levantar o dedo em direção a uma legião de pessoas que têm nome, história e afeto.






Escrito por Ramon às 02h14 [ Comentar ] [ envie esta mensagem ]






 
 

"I hear you say "Why?" Always "Why?" You see things; and you say "Why?" But I dream things that never were; and I say "Why not?" "

Autor: Bernard Shaw

("Escuto você perguntar 'por quê?'. Sempre 'por quê?'. Você vê as coisas e pergunta 'por quê?'. Eu, porém, sonho coisas que nunca existiram e me pergunto 'por que não?'.) Da obra "Back to Methuselah", que não li, mas agora pretendo. O autor, dramaturgo irlandês, é fonte prolífica de frases memoráveis.




Categoria: Citação


Escrito por Ramon às 02h01 [ Comentar ] [ envie esta mensagem ]






 
 

Pedido de desculpas de Casoy

Voltando ao "caso Casoy": ele pediu desculpas aos garis e aos telespectadores pela frase infeliz que emitiu. Andam perguntando o que ele falou, depois de pedir desculpas, quando o áudio foi cortado para o intervalo comercial.




Categoria: Notícias comentadas


Escrito por Ramon às 01h43 [ Comentar ] [ envie esta mensagem ]






 
 

O "nostos" nordestino

 

 

Fonte:Oliveira, Ariovaldo Umbelino de. Integrar para não entregar: políticas públicas e Amazônia. Campinas: Papirus, 1988. p. 76.

Um fenômeno bem antigo começa a dar os primeiros sinais de inversão. Em virtude de assimetrias espaciais no território brasileiro, o fluxo migratório principalmente de populações pobres do Nordeste para grandes centros urbanos do Sudeste compôs, por mais ou menos um século, o retrato do País. As desigualdades interregionais ainda são grandes, mas, já faz algum tempo, os livros de geografia relatam um processo de descentralização produtiva, que levou indústrias importantes a abrirem unidades fora do eixo Rio-São Paulo. A par dessa descentralização, investimentos em infraestrutura, o Bolsa Família e a previdência social aliada a reajustes reais do salário mínimo têm eliminado pouco a pouco as razões que levavam as pessoas a abdicarem de suas famílias, paisagens e cultura e, em busca de oportunidades de vida, engrossarem a diáspora nordestina. Nos últimos seis anos, 400 mil nordestinos retornaram para a Região, vindos do sul do País. Depois de um tempo muito longo, uma região tradicionalmente exportadora de gente passa a ter saldo positivo no balanço migratório. Vejam aqui reportagem sobre o assunto, publicada pelo Uol Notícias.

 




Categoria: Notícias comentadas


Escrito por Ramon às 14h12 [ Comentar ] [ envie esta mensagem ]






 

 

O bordão "Isto é uma vergonha!", disparado cansativamente pelo âncora de telejornal Boris Casoy, desde que me entendo por gente, e ele ainda era empregado do SBT, sempre me pareceu autoritário. Passava-me a impressão de que ele acreditava que sua opinião era tão importante, que dispensava fundamentação. "É, porque é, e basta que eu diga." Além disso, parecia-me algo ingênuo, porque, quando realmente era uma vergonha, não era necessário que ele o dissesse. Funcionava mais ou menos como uma locução de futebol, em que o narrador diz única e exclusivamente o que vemos na tela, num fluxo redundante de informações, simultaneamente via audição e visão. Se alguém não fosse capaz de identificar por si uma notícia absurda, interessaria muito mais a essa pessoa saber por que era absurda, não apenas que o era. Não me lembro de Casoy fazer isso, salvo em raríssimas ocasiões.

Agora encontrei no blogue Vi o mundo a reprodução de uma página de reportagem da revista O Cruzeiro na qual Casoy aparece entre os integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC). O blogue Cloaca News foi responsável por resgatar a edição da extinta revista.

O mesmo Bóris, que tem nome de russo, recentemente foi vítima dos ouvidos que as paredes têm. No caso específico, ele fez comentários vergonhosos sobre a aparição de dois garis desejando bom Ano Novo no telejornal que apresenta. Pouco antes da pausa para o intervalo comercial, os dois varredores aparecem rapidamente desejando um feliz 2010. Em seguida, vem a vinheta do jornal. Sem saber que o áudio estava aberto, Casoy diz: "Que merda! Dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. Dois lixeiros, o mais baixo da escala do trabalho." Eis o vídeo:


Que merda, alguém ser capaz de reagir assim ao desejo sincero de felicidades por parte de outro ser humano. Isso sim é uma vergonha.




Categoria: Notícias comentadas


Escrito por Ramon às 23h51 [ Comentar ] [ envie esta mensagem ]






Petrobrás é a 9.ª em valor de mercado

 

Em 2001, a direção da Petrobrás, então comandada por gente indicada pelo governo de coalizão PSDB-DEM (ex-PFL), lançou proposta de trocar o nome da petrolífera brasileira para Petrobrax, sob o argumento de que a associação da marca com o País era negativa, ligava-a ao atraso e dificultava as aspirações de internacionalização dela.

A forte reação que se seguiu levantou suspeitas de que a mudança proposta integrava o conjunto de ações - já implementadas, planejadas ou apenas aventadas pelos cabeças do Governo de então -, as quais se sustentavam na ideologia neoliberal do Estado mínimo. O significado de fundo da alteração da marca seria a intenção de privatização ulterior da Petrobrás, compatível com o que FHC e seus apoiadores fizeram com a Vale, a Eletrobrás, a Embratel e várias empresas pertencentes ao povo brasileiro. O argumento dominante à época era de que essas empresas eram ineficientes sob administração pública e de que o Estado deveria vendê-las e aplicar os recursos arrecadados em ações e políticas que lhe fossem específicas.

Hoje a imagem do Brasil, ao contrário de prejudicar, valoriza a marca. A Petrobrás, apesar de ter continuado sob o controle do Estado, é a nona empresa em valor de mercado do mundo inteiro, de acordo com estudo da consultoria estadunidense Ernst & Young. Conforme observou Luiz Carlos Azenha, a questão não era trocar um "s" por um "x", mas mudar o governo e a ideologia no comando. É muito difícil imaginar o Brasil com a estatura de hoje, sem o controle da Petrobrás e os meios que ela dá ao País, para induzir o desenvolvimento nacional.






Escrito por Ramon às 23h35 [ Comentar ] [ envie esta mensagem ]







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